quarta-feira, 22 de abril de 2020

Preso - Fernando Peixoto



Homenagem aos que morreram nas cadeias fascistas


       Foram noites e noites sem dormir,
       foram dias e dias sem contar,
       sempre as mesmas palavras para ouvir,
       sempre os mesmos insultos a escutar,

       sempre os mesmos bastões a carregar,
       mais os choques, a lâmina a ferir,
       o cigarro na carne, a fumegar,
       e a tua boca imóvel, sem se abrir.

       Anima-se o carrasco ao pressentir
       no teu corpo acabado de cair
       essa dor que precede a confissão.
       Mas tu sabias a ciência rara
       que diz que um Homem nunca vira a cara
       e morreste aos seus pés dizendo: NÃO ! 

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